/ before

Hoje que seja esta ou aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.

Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz.
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.
.
Que mal faz, esta cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se tudo é tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?

Por fora, serei como queira
a moda, que me vai matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.
.
Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seu
se morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.

Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.

— Cecília Meirelles - Mulher ao espelho

15 hours ago • 0 notes
Minha mãe cozinhava exatamente:
arroz, feijão-roxinho, molho de batatinhas.
Mas cantava.

— Adélia Prado - Solar

1 day ago • 0 notes

farewell-kingdom:

raumlabor, Soap opera

2 days ago • 9,176 notes

deposito-de-tirinhas:

por Ricardo Tokumoto www.ryotiras.com
A vida é cheia de obrigações que a gente cumpre, por mais vontade que tenha de as infringir completamente.

— Machado de Assis - Dom Casmurro

2 days ago • 3 notes
alysavein:

108/365 - published in 1899 by animal at heart on Flickr.